Carnaval Matinê
- 26 de fev. de 2016
- 3 min de leitura

Ei você aí, vem pra cá! O carnaval de Brasília tá muito bom! Mas olha só, ele acaba às 22h...
Então se apresse porque a matinê acaba cedo.
Em Brasília o governo não entrega as chaves para o Rei Momo no carnaval, pois ele faz questão de ter o controle do Distrito Federal durante todos os dias de folia. Esquece-se ele que festa popular existe e sempre existiu, com muita música e brincadeiras, independente da época ou da cultura. A força das ruas ainda é soberana e o carnaval de Brasília está aí para mostrar isso.
As tentativas de reprimir e sabotar o carnaval foram muitas. Nunca houve tanta burocracia na história do carnaval brasiliense para um bloco sair as ruas. Dentre liberação de alvará no último minuto de concentração de alguns blocos até tentativa de penalizar os blocos caso houvesse flagrante de venda de bebida alcoólica à menor de idade, se cogitou.
Para a solicitação de alvará e demais infraestruturas de montagem e apoio que seriam oferecidos pelo governo, cada bloco deveria passar a quantidade de publico prevista e horário de inicio e termino do bloco. O que é bem plausível. Sendo os blocos de Brasília em sua totalidade diurnos, a maioria tem o horário de termino por volta de 20h e 22h. Contudo, logo um 'boato' se espalhou pela mídia em que o Secretario de Cultura, Guilherme Reis, teria dito que os blocos em área residencial deveriam terminar às 22h. O que foi desmentido e explicado pelo Secretário, que este horário na verdade os próprios blocos estabeleceram. Mas o clima de possível toque de recolher no carnaval ficou no ar e assim se fez. Ao badalar das dez horas da noite a policia intervia para o desligar de som e dispersar da população. Sim, não era somente o bloco que deveria acabar, mas o carnaval.
- E fica aqui uma outra reflexão sobre o que é exatamente área residencial, haja visto que alguns blocos tradicionais que saem no Eixão Sul tinham seu horário de término à 01h.
A parte da comunidade contrária ao carnaval por sua vez, também não deixou barato em suas tentativas de sabotagem. Um morador da quadra 209 Sul, quadra do bloco Agoniza, Mas Não Morre, chegou a difamar o bloco entre os comerciantes e imprensas com tentativa de abaixo assinado para retirada do bloco da quadra, contudo, em vão, pois os organizadores já haviam dado ciência do acontecimento aos lojistas e o bloco ocorreu lindamente. Na 410 Norte, quadra do querido Bloco da Tesourinha, não seria diferente. O bloco, que vem recebendo ameaças de abaixos assinados da prefeitura da quadra, já havia conseguido todas as liberações e apoios necessários para sua realização, faltando apenas a liberação do alvará, que uma vez com tudo em dia, não havia motivos para a não liberação. Pois não teve alvará. Mas teve Tesourinha, mais uma vez o carnaval venceu!

E venceu de forma inesquecível, se o carnaval de 2015 foi o marco da consolidação do carnaval candango, o de 2016 em diante será um ano após o outro de superação em beleza, criatividade, espontaneidade, alegria e sempre resistência, porque carnaval é cultura, ele é meu, ele é seu, ele é de todo nós e principalmente da rua!
O carnaval de Brasília está acontecendo e ganhando força e visibilidade a cada ano. Não se unir à ele pelo viés cultural e não olha-lo pelo prisma do turismo, e digo não somente aos blocos e escolas, mas toda a cadeia envolvida de bares - vida noturna -, restaurantes, hostels, hotéis, lojistas e artesãos, é um erro. Se Brasília ainda tem o estigma de cidade vazia e política, ta aí uma linda oportunidade de mudar essa visão, sem repressão, mas com liberdade e arte, sem toque de recolher, e gente feliz nas ruas, menos burocracia e mais cultura nas praças, vias, eixos, quadras e entrequadras. Eu apoio o carnaval de Brasília porque acredito no seu potencial.
Vamos ocupar as ruas com nossas cores, nossas músicas e nossos blocos!
Carnavaliza Brasília!
Responda o questionário!
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