Tem Pré Carnaval no Paranoá!
- 19 de jan. de 2016
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Nesta selva de pedra, eis que ecoou um bate-e-rebate do atabaque. Estávamos no Paranoá, praça central, em frente à Paróquia Santa Maria dos Pobres. Como de costume para um domingo, este lugar estava repleto de trabalhadores, consumidores e moradores dos arredores, até o deitar do Sol no horizonte. Porém, neste domingo, 17 de janeiro de 2016, vimos emergir no coreto um grupo de jovens que se organizaram de maneira singular em volta de uma estrutura simples de tenda e som. Aos poucos, somaram-se à festa, curiosos de todo tipo e vizinhos do local movidos pelo soar das caixas de som que convidavam os de coração saltitante a festejar.
Festa variada e cheia de encantos: pra começar veio um som regional que trouxe vários pífanos compondo a Ventoinha nos Canudos, em seguida, outros lados rítmicos do brasiliense como o Maracatu do Baque do Cerrado, o carnaval de rua do Bloco Pimenta no Cunha dos Outros é Refresco, e para continuar no jogo de palavras e swings seguiu-se com Macumbá e Tambor de Crioula, tudo isso temperado com a discotecagem do Zivitin, do Degustasom e da Jul Pagul, que não mediram os esforços para fazer o pessoal remexer. E pra não baixar a bola, veio o Samba do Formigueiro e Aroeira, seguido do batuque do Tamnoá (organizadores do evento) e Bloco Libre. Para fechar, ou melhor, escancarar a noite de vez, assumiu Martinha do Coco aquecendo o chão do Paranoá e espalhando uma verdadeira onda de alegria, ardor e suor dos brincantes.
Tudo isso aconteceu ao lado do skate parque, já tão “acostumado” com as boas vibrações dos skatistas ágeis que figuram por ali. Talvez por isso tenha soado tão bem naquele lugar o afoxé, o maracatu, o coco, o rap e tudo aquilo que pudesse preencher de arte o coração do Paranoá. “Ocuparte” é o que está escrito no concreto do coreto daquela praça onde aconteceu o movimento. A palavra de dupla faceta retrata bem aquela realidade de aglutinação de ideias, ocupação positiva e atitude arteira. Era representada pelo pisar descompromissado dos dançantes e pela malemolência das habilidosas mãos dos músicos em seus instrumentos. A cidade, não tão acostumada com esses ritmos, quase não entende: ”É coco? Sim! É maracatu? Com certeza!” No meio dessa selva de pedra, eis que venta um bate-e-rebate do atabaque. Estamos no Paranoá, praça central, em frente à Paróquia Santa Maria dos Pobres. Estamos em Brasília! E, por incrível que pareça, aqui HÁ carnaval! E digo mais: É dos bons!
Lucas Althoff




































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